Saí do trabalho correndo para poder chegar ao Museu do Homem do Nordeste na hora. Cheguei mais que na hora e o seminário ainda começou atrasado. Eu dormi tanto na cadeira esperando o negócio começar... Para iniciar, citaram uma frase de Alberto da Costa e Silva: "Para entender o Brasil é preciso primeiro conhecer a África". Achei muito interessante e muito verdadeira a sentença. Depois de todo trelêlê de falatórios iniciais, iniciou-se a conferência "Negociando vidas: história de traficantes de escravos africanos", com Marcus Carvalho. O homem foi apresentá-lo. Falou de seus mestrados, o seu Phd, mas pra mim ele era o meu professor (Quer dizer, ex-professor). Um dos mais legais que estudei na UFPE. Pena que lá, ele dê a cadeira de América V e não uma cadeira voltada para a sua especialidade. Bem, Marcus começou dizendo que o comércio de escravos no Atlântico era um assunto pouco estudado em Pernambuco e meio que se espantava com isso, pois o nosso estado era o 3º porto do Brasil em recebimento de escravos (Atrás apenas de Rio de Janeiro e Salvador) e o 10º da América. Os heróis pernambucanos? Geralmente eram grandes senhores de escravos. Ele foi dizendo um monte de nomes, que eu não decorei, claro. Afinal de contas, sou uma pessoa e não um pc. Mas de dois eu me recordo: Fernandes Vieira (que ainda hoje na Várzea tem o portão... ou será o muro? da casa em que ele morou.) e Vidal de Negreiros, grandes heróios da Restauração Pernambucana, quando os holandeses são expulsos. Os dois vão para a Angola depois da Restauração e lá tornam-se importantes e muito ricos senhores de escravos. A partir deles, há o aumento de comércio de escravos no Atlântico Sul. Depois ele mostrou o Mapa de Catino, de 1502, o primeiro em que aparece o Brasil, ou o que se conhecia (ou se supunha que era ele) na época. Neste mapa também podemos perceber como a África já era bastante conhecida, pois o mapa da época já era semelhante ao que conhecemos hoje. Mais adiante, ele falou que a escravidão foi uma das poucas instituições realmente universais que a humanidade já teve. Surge na verdade, com a propriedade do homem sobre a mulher e crianças. Outra coisa bem interessante que ele disse foi que o canibalismo tem mais a ver com a fome das pessoas que propriamente com rituais de alguma coisa. Afinal, é mais fácil caçar uma pessoa que caçar um animal, o que faz certo sentido. O escravo era uma moeda e quanto mais longe estivesse do local de sua captura, mas ele valia, pois eram menores os riscos dele voltar, por isso que escravos que iam para o Caribe eram mais caros que escravos que vinham ao Brasil. Quando os europeus chegam à África, já encontram algusn regimes de escravidão entre alguns povos. No auge da tráfico negreiro, no século XVIII, o número de mortes era pouco. O navio negreiro pode ser considerado o primeiro transporte de bens que se movem por si só (ele disse um nomezinho, mas eu não me lembro). Era feito para conduzir a maior quantidade de gente possível. E ganhou o apelido de tumbeiro. Porque será? Quanto mais tempo se passasse no mar, mais riscos de mortalidade se tinha. Outra coisa bem interessante que ele falou foi em relação à localização de Pernambuco, que pode ter sido (e deve ter sido mesmo) definitiva para a ocupação portuguesa por estas áreas. Nada de solo massapê, propício ao cultivo da cana, mas Pernambuco é o lugar do Brasil mais próximo à Angola e Congo, de onde veio a maioria dos escravos que por aqui chegaram. Um total aproximado de 12 milhões e 500 mil pessoas. Citou um site muito bom para procurar dados sobre escravos e navios negreiros, o The Trans Atlantic Slave Trade Database. Ah... os navios negreiros geralmente eram batizados com nomes de santos. teve um que ele falou que foge a esta regra, mas eu nunca vi um nome tão disforme da realidade... Viajante Feliz. E alguém ali tava feliz? Os mestres eram os capitães do navio e consignatários, aqueles que recebiam os escravos, acho que o traficante propriamente dito. Era comum iniciar-se a carreira como comandante de navio negreiro e terminar como traficante de escravos. Perto de terminar ele mostrou gravuras de Zacarias Wagner (acho que é este o nome dele). E por fim, falou que Charles Darwin quando esteve em recife odiou a terra, por conta da escravidão, pois enquanto passava por uma rua, viu uma escrava apanhando e sabia que não podia fazer nada para ajudá-la. E falou de Mahommah Gardo Baquaqua, o único africano que veio pra cá como escravo e deixou memórias escritas, mas não escreveu aqui, mas nos Estados Unidos e ainda hoje é muito pouco usado (ou quase nada usado) por aqui.
Fim de conferência, fomos lanchar. E tinha comida, viu? Tanta coisa gostosa! Pena que não pude apreciar de tudo, pois quando eu cheguei já não tinha quase nada. O povo pegava de bolo. De muito. De tuia. Me lembrei logo dos meus 15 anos. Os pratos que eram colocados na mesa não passavam um minuto cheios. Mas o que eu comi, tava ótimo.
Depois do lanche, inicou-se a mesa-redonda "Trocas econômicas e simbólicas entre as duas bandas do Atlântico Sul: relações Brasil e África.", com os professores Acácio Almeida Santos e Lisa Earl Castilho. Quem começou a falar foi o professor Acácio. Falou da importância do trabalho de louvação nas sociedades africanas, pois está dentro do poder criador da palavra e a plavra é algo extremanete importante nestas sociedades. A encarnação da palavra é muito presente no ato da criação. Geralmente nós, ocidentais, não damos muito valor às histórias do senso comum, aquelas contadas pelos mais velhos... Ele colocou uma coisa bem interessante. falou de um termo que eu nunca ouvi falar, Etnomedicina, uma medicina mais "artesanal", digamos assim. Então ele lançou a pergunta: Esta medicina feita à base de ervas (ou coisas naturais) é menos medicina que a outra? Ela não cura da mesma forma? Ele falou que a periferia era o lugar por excelência das reciprocidades, uma regra social primordial. Aí falou do costume dos vzinhos de trocarem pedaços de bolo, pedirem coisas emprestadas aos vizinhos... Que constituem redes sociais de proteção. Um dado muito interessante que ele falou foi qua na África, os países que têm os maiores índices de HIV são aqueles que optaram pelo modelo de família nuclear, pois este modelo não é solidário. As transformações econômicas e sociais na África, iniciam-se com a colonização e estão sendo reelaboradas até hoje. Talvez um agrande parte dos problemas hoje existentes na África seja porque ela produz para fora e não para o continente. E o continente vive no dilema TRADIÇÃO x MODERNIDADE. Com o tempo, os povos do continente foram querendo chegar cada vez mais perto do que convencionou-se chamar desenvolvimento, mas desenvolvimento de quem? E para quem? Porque o abandono dos valores? Aí ele disse duas frases tão reflexivas, mas pena que eu não entendi de quem foram. mas vamos lá: "Todos os que colonizam têm um comlexo de superioridade." e "Na África, a morte de um velho equivale à destruição de uma biblioteca inteira.". Ah... teve um ditado da Costa do Marfim: "A temperatura subiu tanto que quem plantava maçã vai ter que aprender a plantar banana." Falou que para a Universidade, os movimentos inegros nventaram uma África que não corresponde com a realidade, mas que isto não é ruim, pois com isso eles forjaram o direito de simbolização da África. Ultimamente está havendo uma grande troca de valores entre a África e o Brasil. O Brasil se torna um país neo-colonial em suas relações econômicas com a África. Como pode-se discutir valores do continente, se ele aparece sempre como pária? E por último ele citou um economista (eu acho)... Sérgio alguma coisa... Natuschi... Latuschi... que perguntou como a África pode contribuir para resolver os problemas do ocidente. Uma nova perspectiva.... Muito bom. E terminou dizendo que as relações do resto do mundo com a África sempre foram pautadas no que ela tem a oferecer. talvez esteja na hora de mudarmos isso... Porque não nos fazermos a pergunta do Sérgio?
Por último falou a professora Lise. Eu não fiquei até o fim. Ela começou a ler o papel. Pôxa! Achei uma falta de respeito com quem tava lá. Sei que o tema da palestra dela era "Entre Memória, Mito e História: Viajantes Transatlânticos da Casa Branca". A Casa Branca é um dos terreiros de candomblé mais antigos da Bahia. Segundo a memória coletiva local, foi fundada por 2 africanas libertas. As trocas existentes entre o Brasil e a África não pautavam-se apenas na escravidão, mas também nas idas e vindas de ex-escravos que retornavam ao continente. Muitos deles iam e vinham várias vezes. Bem, a minha paciência só deu até aqui. tava morrendo de sono, cansada, com fome e ainda mais a mulher lendo... Perdi o entusiasmo e fui pra casa. Não sem antes passar por um Dois Irmãos/ Rui Barbosa lotado. Como já cantavam na abertura de "A Escrava Isaura": Vida de negro é difícil... E a de pobre também... Quem precisa pegar ônibus que o diga...
Fim de conferência, fomos lanchar. E tinha comida, viu? Tanta coisa gostosa! Pena que não pude apreciar de tudo, pois quando eu cheguei já não tinha quase nada. O povo pegava de bolo. De muito. De tuia. Me lembrei logo dos meus 15 anos. Os pratos que eram colocados na mesa não passavam um minuto cheios. Mas o que eu comi, tava ótimo.
Depois do lanche, inicou-se a mesa-redonda "Trocas econômicas e simbólicas entre as duas bandas do Atlântico Sul: relações Brasil e África.", com os professores Acácio Almeida Santos e Lisa Earl Castilho. Quem começou a falar foi o professor Acácio. Falou da importância do trabalho de louvação nas sociedades africanas, pois está dentro do poder criador da palavra e a plavra é algo extremanete importante nestas sociedades. A encarnação da palavra é muito presente no ato da criação. Geralmente nós, ocidentais, não damos muito valor às histórias do senso comum, aquelas contadas pelos mais velhos... Ele colocou uma coisa bem interessante. falou de um termo que eu nunca ouvi falar, Etnomedicina, uma medicina mais "artesanal", digamos assim. Então ele lançou a pergunta: Esta medicina feita à base de ervas (ou coisas naturais) é menos medicina que a outra? Ela não cura da mesma forma? Ele falou que a periferia era o lugar por excelência das reciprocidades, uma regra social primordial. Aí falou do costume dos vzinhos de trocarem pedaços de bolo, pedirem coisas emprestadas aos vizinhos... Que constituem redes sociais de proteção. Um dado muito interessante que ele falou foi qua na África, os países que têm os maiores índices de HIV são aqueles que optaram pelo modelo de família nuclear, pois este modelo não é solidário. As transformações econômicas e sociais na África, iniciam-se com a colonização e estão sendo reelaboradas até hoje. Talvez um agrande parte dos problemas hoje existentes na África seja porque ela produz para fora e não para o continente. E o continente vive no dilema TRADIÇÃO x MODERNIDADE. Com o tempo, os povos do continente foram querendo chegar cada vez mais perto do que convencionou-se chamar desenvolvimento, mas desenvolvimento de quem? E para quem? Porque o abandono dos valores? Aí ele disse duas frases tão reflexivas, mas pena que eu não entendi de quem foram. mas vamos lá: "Todos os que colonizam têm um comlexo de superioridade." e "Na África, a morte de um velho equivale à destruição de uma biblioteca inteira.". Ah... teve um ditado da Costa do Marfim: "A temperatura subiu tanto que quem plantava maçã vai ter que aprender a plantar banana." Falou que para a Universidade, os movimentos inegros nventaram uma África que não corresponde com a realidade, mas que isto não é ruim, pois com isso eles forjaram o direito de simbolização da África. Ultimamente está havendo uma grande troca de valores entre a África e o Brasil. O Brasil se torna um país neo-colonial em suas relações econômicas com a África. Como pode-se discutir valores do continente, se ele aparece sempre como pária? E por último ele citou um economista (eu acho)... Sérgio alguma coisa... Natuschi... Latuschi... que perguntou como a África pode contribuir para resolver os problemas do ocidente. Uma nova perspectiva.... Muito bom. E terminou dizendo que as relações do resto do mundo com a África sempre foram pautadas no que ela tem a oferecer. talvez esteja na hora de mudarmos isso... Porque não nos fazermos a pergunta do Sérgio?
Por último falou a professora Lise. Eu não fiquei até o fim. Ela começou a ler o papel. Pôxa! Achei uma falta de respeito com quem tava lá. Sei que o tema da palestra dela era "Entre Memória, Mito e História: Viajantes Transatlânticos da Casa Branca". A Casa Branca é um dos terreiros de candomblé mais antigos da Bahia. Segundo a memória coletiva local, foi fundada por 2 africanas libertas. As trocas existentes entre o Brasil e a África não pautavam-se apenas na escravidão, mas também nas idas e vindas de ex-escravos que retornavam ao continente. Muitos deles iam e vinham várias vezes. Bem, a minha paciência só deu até aqui. tava morrendo de sono, cansada, com fome e ainda mais a mulher lendo... Perdi o entusiasmo e fui pra casa. Não sem antes passar por um Dois Irmãos/ Rui Barbosa lotado. Como já cantavam na abertura de "A Escrava Isaura": Vida de negro é difícil... E a de pobre também... Quem precisa pegar ônibus que o diga...
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