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terça-feira, 30 de abril de 2013

Prazer.

Pra terminar o dia 21, assistimos Prazer, um espetáculo da Cia Luna Lunera. O espetáculo é excelente!!! E baseado (ou será inspirado?) em textos de Clarice Lispector. Por isso mesmo, te faz sair do lugar-comum e pensar no que andas fazendo da vida. Conta a história de quatro amigos  que se encontram sempre que podem, apesar dos pesares da vida.... E nestes encontros eles vão revendo suas vidas e suas posições perante ela, afinal de contas, a vida acontece e nem sempre estamos prontos para acompanhá-la... Os atores são muito bons. O cenário é bem legal, com frases de Clarice Lispector, suponho eu rs... Vai estar em cartaz até o dia 02 de junho no CCBB do Rio. Pra quem gosta de teatro, é uma excelente pedida... E o preço é melhor ainda: R$6,00...

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Essa febre que não passa.

Ontem eu assisti ao espetáculo Essa febre que não passa. E gostei muito. Comecei a ler o livro homônimo da Luce Pereira, mas por vários motivos não terminei de lê-lo. Entre eles, o fato de que sempre tenho que ler alguma coisa para a faculdade. Mas voltemos ao espetáculo. Ele é simplesmente maravilhoso. Pra mim, não tem outra definição. As atrizes são muito boas. E com ele, você ri e chora. São várias histórias de  várias mulheres que vão se entrelaçando ao longo do espetáculo. A que mais me emocionou foi a de Bernarda. Belíssima!!! A pessoa se vê em várias daquelas situações vividas por aquelas mulheres. Às vezes me sinto como a irmã de Sofia, meio fora de lugar, meio que procurando um lugar pra mim nesse mundão de Deus. Quando tiver novas sessões, quem tiver a oportunidade de ir, vá, porque vale a pena. E muito.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Farsa de Inês Pereira, de Gil Vicente.


 Esta foi uma análise que foi passada pelo professor de Literatura Portuguesa. Acho que ficou legalzinha:

Farsa de Inês Pereira foi feita para ser apresentada a D. João III, em 1523. Para Teyssier, o teatro vicentino é um teatro de corte, que subordina-se ao cerimonial e às exigências da vida cortesã. Muitas peças foram encomendadas para a celebração de datas importantes, como aniversários, casamentos e festas religiosas. Embora seja uma peça teatral, há a presença de rimas em todo o texto. Gil Vicente utiliza a medida velha, característica da poesia medieval. As falas são compostas em redondilha maior, com sete sílabas poéticas e rimas. Inês Pereira é uma jovem que sabe ler e escrever, o que era raro na época e que se recusa a ter uma vida de submissão, reclusão e trabalhos domésticos, que era o destino das mulheres. Quer casar com um homem galante, bom e discreto para mudar a sua situação de vida. Lianor Vaz lhe propõe que se case com Pero Marques, um camponês rico. Pero vai à casa de Inês falar-lhe em casamento, mas ela não gosta de seus modos rústicos e das peras que ele leva de presente para ela. Ele fica constrangido em ficar sozinho com Inês: “Vossa mãe foi-se? Ora bem!/ Sós nos deixou ela assi?/ Cant’eu quero me ir daqui./ não diga algum demo alguém...”. Inês o diz para ele não aparecer mais: “Homem, não aporfieis/que não quero nem me praz;/ ide casar a Cascais!”. Ele vai embora, mas não perde as esperanças: “Ficai-vos ora com Deus:/ serrai a porta sobre vós/ com vossa candeiazinha;/ e siquais sereis vós minha,/ entonces veremos nós”. Para Spina, a Farsa de Inês Pereira é pouco mais que um esboço de uma comédia de costumes. Para Audrey Bell, esta peça prova que a questão dos direitos da mulher já aparecia no século XVI, mas para Teyssier fazer de Gil Vicente um precursor do feminismo é ser anacrônico, pois para o dramaturgo ninguém deveria sair de sua condição. Cada pessoa deveria procurar a sua salvação no lugar que foi determinado por Deus no mundo e na sociedade. Esta obra é uma variação sobre o tema da infidelidade feminina, muito constante na Idade Média. Inês representa o desejo de ascensão social da pequena burguesia, que assim como a personagem, vê no casamento uma forma de consegui-la. Há um desprezo pela vida camponesa e um prestígio das maneiras cortesãs. O desenvolvimento do capitalismo provoca a decadência da nobreza feudal e reforça o poder do monarca. A riqueza do comércio ultramarino passa a ser a base do prestígio social. A aristocracia passa a valorizar os ideais cavaleirescos. A nobreza, embora cada vez mais decadente, tentava impor esses ideais a quem queria pertencer a uma classe superior. A burguesia passa a buscar esses ideais a fim de ascensão social. Há a predominância do discurso direto. O diálogo é o meio utilizado para criar a narrativa da trama. Gil Vicente inspira-se nas fontes populares portuguesas em algumas de suas peças. Na Farsa de Inês Pereira, essa inspiração está presente no ditado popular no qual a peça está baseada: “Mais quero asno que me leve que cavalo que me derrube”. A obra é bilíngue – português e espanhol, uma característica presente em algumas obras de Gil Vicente e que retrata a realidade sócio-cultural portuguesa no início do século XVI, pois as duas cortes, e por conseguinte, as duas línguas, eram bastante próximas. Ao contrário do que ocorre em outras peças do autor, como O Auto da Barca do Inferno e o Velho da Horta, a protagonista trai o marido e não recebe castigos por isso.

quarta-feira, 14 de março de 2012

A mecânica das borboletas.

De 24 de fevereiro a 04 de março eu estive no Rio de Janeiro. Desta vez, foi diferente das outras... Saí praticamente sozinha todos os dias, me aventurei a sair de noite sozinha, fui pra outra cidade sozinhae fiquei muito doente rs. Não saí tanto quanto eu gostaria, mas aproveitei o máximo que pude dentro das minhas condições... 
No dia 29 de fevereiro eu fui assistir "A mecânica das borboletas", que estava em cartaz lá no CCBB. Um dos meus lugares favoritos no Rio é o CCBB sem sombra de dúvida. Podemos ver boas e grandes exposições de graça e espetáculos teatrais bons a preços melhores ainda. E, pra quem procura por isso, dá até pra ver uns globais... Da primeira vez que fui lá, quase esbarrei no Rodrigo Hilbert e na Fernanda Lima... Mas voltemos ao espetáculo, né? Eu já enrolei demais... A peça conta a história de dois irmãos gêmeos, Rômulo (Eriberto Leão) e Remo (Otto Jr.). Aos 18 anos, Rômulo foge de casa, depois de várias visitas a um velho hippie da cidade, e leva todas as economias da família. O pai sofre a cada dia com a ausência do filho e acaba morrendo. Quando o pai falece, a mãe (Suzana Faini) num reage bem e acaba meio criando um mundo paralelo. O pai morre no dia do aniversário de partida do filho. E neste mesmo dia, 20 anos após a sua partida, Rômulo decide voltar para casa e encontra uma família em pedaços: a mãe que não tá muito bem mentalmente, o irmão que tem um ódio mortal dele e casou-se com a sua namorada da adolescência (Ana Kutner, irmã da Clara e da Bel, sendo esta a mais famosa). A volta de Rômulo para casa vai afetar a vida de toda a família... Eu adorei o espetáculo. Muito bom!!! E o melhor de tudo é que eu só paguei R$3,00 para assisti-lo. É, o Rio de Janeiro tem as suas vantagens...

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Recordar é viver.

Enquanto estive no Rio, fui assistir lá no CCBB com Kíkero a Recordar é viver. Queria muito assistir porque a Suely Franco estava no elenco e eu gosto muito do trabalho dela. O espetáculo conta a história de uma família carioca, com os seus encantos, desencantos e problemas. O filho mais velho tem problemas... sérios problemas... passa a noite toda acendendo e apagando fósforos. A única coisa que o liga ao mundo real é a sua namorada, que a mãe não gosta. O cara tem quase trinta anos e ainda depende dos pais, que o tratam como criança. O irmão mais velho saiu de casa porque não gosta d ever como os pais tratam o irmão. Os pais, aliás, sempre passam na cara dele que ele chegou onde está porque foi ajudado por eles. Paula é a outra irmã, que nunca teve muito afeto dos pais, principalmente da mãe. Ela já passou por vários relacionamentos amorosos e voltou pra casa após mais um casamento fracassado. Por fim, tem os pais, que vivem a partir do passado. Sentem-se vivos vendo fotos antigas num projetor, todos os dias, com as mesmas falas... Como se a vida só lhes chegasse através daqueles slides. Eu adorei a peça. No dia que eu fui alguns atores erraram o texto, mas aí é que está a diferença entre um ator bom e um ruim: seguir adiante, não se perder no espetáculo, não deixar o ritmo cair... E a Suely Franco e o Sérgio Britto dão conta deste recado muito bem!!!

domingo, 18 de julho de 2010

O amor de Clotilde por um certo Leandro Dantas.

Ontem fui assistir com Renê ao espetáculo O amor de Clotilde por um certo Leandro Dantas, baseado na obra de Carneiro Vilela, A Emparedada da Rua Nova, que por sinal, sou louca pra ler, mas o livro é bastante difícil de se achar. O espetáculo é MARAVILHOSO. Os atores são EXCELENTES! O espetáculo é da Trupe Ensaia Aqui e Acolá, que é formada por ex-alunos de Marco camarotti, referência quando se fala em artes cêncicas aqui em Pernambuco. Eles saíram meio do livro, mudaram o final, usaram elementos de circo-teatro e melodrama, usaram elementos de videoclipes, novelas e filmes e criaram um espetáculo no qual você ri do início ao fim com as caras e bocas do elenco, as dublagens a la novela mexicana, a versão para Total Eclipse Of The Heart e, principalmente, na cena em que a emparedada é desemparedada. A sintonia do elenco em cena é muito boa. O figurino é lindo. O cenário é ótimo. Bem funcional. Pra quem gosta do bom teatro, é um espetáculo que vale muito a pena ser assistido. Sábados e domingos de julho às 19 horas no Teatro Capiba, no SESC Casa Amarela. Entradas a R$10,00 e R$5,00.

domingo, 23 de maio de 2010

O Inferno Sou Eu.

Ontem fui assistir a "O Inferno sou eu", contando a passagem de Simone de Beauvoir (É assim mesmo que se escreve?) pelo Recife e o seu relacionamento com a estudante de Letras, Dorinha. Marisa Orth está muito boa fazendo Simone, mas Paula Weinfeld, que faz a Dorinha, está ótima! O espetáculo é engraçado. Em algumas cenas, chorei de tanto rir. O pior é que a mulher que tava junto de mim chegou a dizer que queria achar graça, mas não tava vendo nenhuma. Aff! Acho que, acima do relacionamento entre Dorinha e Simone, o espetáculo quis mostrar a humanidade de Simone. O seu lado "mulherzinha"... O seu sofrimento pelas traições de Sartre e por estar longe de Nelson, o seu namorado. Em algum momento ela diz: "Não se nasce mulher, torna-se". Até hoje, quantos seres não tornam-se mulheres pedidas pela sociedade, abandonando os seus sonhos, a sua vida, aquilo em que acredita? Muito bom! Quem quiser mais informações pode acessar o site do espetáculo: www.oinfernosoueu.com.br , tem a agenda, fotos, vídeos, contatos.

Sopros de Vida.

Sexta fui assistir a "Sopros de Vida", que eu já tinha tentado assistir quando estava no Rio, mas não consegui. Inicialmente, eu sabia que era a história de duas mulheres, Frances e Madeleine (interpretadas magnificamente por Rosamaria Murtinho e Natália Timberg), que passaram 25 anos dividindo o mesmo homem. À primeira vista, pode parecer que o espetáculo é só sobre isso, mas ele vai além... Em um dia qualquer, Frances resolve visitar Madeleine, que mora em uma ilha, para que esta possa contar-lhe a sua história com Martin e Frances possa escrever em um suposto livro. É engraçado como ao longo do espetáculo vamos percebendo (ou pelo menos eu percebi assim) como as duas completam-se, como se as duas formassem juntas a "Mulher Perfeita": Frances é a típica dona-de-casa. Viveu para o marido e para os filhos. Quando Martin vai embora para viver com uma mulher um pouco mais velha que os seus filhos, ela perde o sentido de sua vida... Passa a escrever romances, mas sempre como uma catarse de seus sentimentos pelo marido. Os personagens masculinos são sempre baseados nele. Já Madeleine é uma mulher independente. Foi para os EUA ainda jovem (a história passa-se na Inglaterra), estudou, dirigiu uma sessão em um Museu durante anos, faz pesquisas, uma intelectual... Mas no fundo, quer apenas o objeto de sua paixão. Tem uma frase dela que diz muito, e é mais ou menos assim: "Eu queria tudo e tive medo de só ficar com alguma coisa", por isso ela deixa o Martin pra trás, com medo de que ele não pudesse dar o que ela queria, ou merecia... (isso me pareceu tão familiar rs). O enredo (que aliás é de David Hare, roteirista de "As Horas" e "O Leitor") é muito bom. Vemos vários enredos dentro do enredo da partilha de dois homens. Duas mulheres diferentes, conversando sobre o seu comum: Martin. E sobre mais: Críticas aos EUA, medo da morte, conselhos... Madeleine manda Frances viver a sua vida, pois Martin vive a dele... Enquanto conversam, fumam, bebem (chá, cerveja, whisky)... Uma espécie de "vamos passar o passado a limpo". Tem uma frase da Madeleine que é muito boa: "O ruim de se viver no passado é porque já se sabe como a história acaba". O espetáculo é ótimo! Ri muito! As atrizes estão ótimas! Quem puder assistir... Aqui, ali, ou em qualquer lugar... assista!