Li Alves & Cia para a cadeira de "Tradições narrativas da Literatura Portuguesa do século XIX à atualidade". Foi o melhor livro que o professor nos passou até agora, pelo menos a meu ver. Ele nos passou um trabalho sobre o livro que abaixo eu transcrevi...
A
novela Alves & Cia de Eça de Queiroz conta a história de como Godofredo
lida com a traição de sua esposa Ludovina com o seu sócio, Machado. Talvez haja
uma motivação para que Ludovina tenha traído o marido, pois este é
caracterizado como o oposto de Machado. Enquanto Godofredo é caracterizado como
inseguro, muito romântico, muito necessitado de Ludovina, Machado é um galã,
com vários relacionamentos amorosos, jovem. Machado é também muito próximo a
Ludovina. No dia de seu aniversário de casamento, depois de encomendar uma
espécie de banquete e comprar um presente para a sua Lulu, o pega com o seu
sócio. Sua atitude é escrever uma atitude para o sogro pedindo que a leve
embora. Ao sogro não incomoda tanto o fato da filha ser pego com outro, pois o
genro o dará uma boa quantia para que a sua família faça uma viagem para longe
e os vizinhos não tenham o que falar. E pagará uma gorda pensão a Lulu todos os
meses. Ludovina não acha nada de mais receber a mesada, para ela apesar de
estar errada, esta é uma obrigação do marido. Podemos dizer que mais importante
do que a honra de Godofredo, é o segredo sobre a traição ser bem guardado...
A sua imagem tem que ser mantida: “Ele desceu as escadas, quatro a quatro, mas embaixo, como dominado pela decência grave da escada, procurou calmar-se, abotoou a sobrecasaca, passou as mãos pela face, preparando-se para passar diante dos seus vizinhos, naquele ar que o fazia estimado e respeitado”. Mesmo com a traição consumada, Godofredo dá a Ludovina o presente que lhe havia comprado. Depois que sai de casa para acalmar-se, anda pelas ruas da cidade sem tomar conhecimento de por onde está andando. Pensa em morrer, mas o pensamento de que a firma passaria a ser só do Machado e que a vida deste em nada mudaria o faz mudar de ideia: “Sim, o outro ficaria bem contente, se ele desaparecesse essa noite. Sentiria um completo alívio. Um ou dois dias mostrar-se-ia pesaroso, talvez se sentisse realmente perturbado. Mas depois continuaria a vida: a firma seria Machado & Cia.; ele continuaria a ter amantes, ir ao teatro, a pôr cera moustache no bigode. Isto não era justo. Fora o outro que causava a ruína duma felicidade, era ele que devia morrer. Era o Machado que devia desaparecer; era ele que se devia matar. Isso seria mais justo”. Para lavar a sua honra ou para que ele ou Machado morram, já que acha que esta é a única reparação plausível, inicialmente procura Machado para que eles tirem na sorte quem deve morrer, mas este não concorda com a ideia. Acha um absurdo, pois o mal que fez ao antigo amigo não é para tanto e pede que Alves seja racional. Este sai à procura dos amigos Medeiros e Carvalho. Este por sua vez, está envolvido em um caso de traição, mas ele sendo o traidor. Godofredo coloca-se no lugar do marido traído por homens como Medeiros, ao qual, ironicamente, Alves deixará a cargo de acertar os arranjos de sua honra. Quando os amigos sabem da ideia de Godofredo logo insistem para ele mude de ideia, pois a traição não é motivo para tanto. Seus amigos saem à procura dos amigos de Machado, que também acham que a traição não é motivo para tal duelo com apenas uma arma carregada. Não importa o que aconteceu ao amigo, a imagem de Alves e a deles próprios têm que ser preservadas, pois são pessoas públicas, de certo poder aquisitivo e não podem ter as suas reputações manchadas. As relações sociais passam pelo financeiro e não pela honra. Godofredo já não consegue dar conta da administração da casa, pois as empregadas percebem que ele nunca as mandará embora com medo de que elas espalhem a notícia da traição e por isso mesmo, não estão mais fazendo as suas obrigações como deveriam. Com a desculpa de que necessita ajuda em casa e já pronto para uma reconciliação, ao encontrar Lulu na rua em passeio com a irmã, as pede para ir à sua casa, onde faz as pazes com a ex-mulher e a leva par uma nova lua de mel em Sintra. Tempos depois, Alves vê a criada dando uma carta à sua senhora, o que levanta-lhe novamente as suspeitas de traição, mas ao confrontar a mulher, descobre que é apenas a carta de uma senhora agradecendo a ajuda financeira dada por Lulu. Depois de perdoar a mulher, perdoa também o amigo Machado. Daí em diante, prosperam tanto as relações comerciais quanto as relações de amizade e familiares. Os três convivem socialmente até o fim de suas vidas. À época da morte da mãe do sócio, Godofredo o consola. A partir daí, os casos daquele são menos significativos: senhoras casadas, raparigas espanholas e ele acaba-se casando. Duas vezes, pois a primeira esposa morre. Ao fim da novela, Alves faz uma pequena exaltação à sua prudência: “Que coisa prudente é a prudência!”. Não tivesse sido a sua prudência, “estaria agora ainda separado de sua mulher, teria quebrado a sua amizade íntima e comercial com o seu sócio, a sua firma não teria prosperado, nem a sua fortuna aumentado; e o seu interior teria sido o dum solteirão azedado, dependente de criadas, maculado talvez pela libertinagem”. Vinte anos havia se passado e se não fosse a sua prudência, teria perdido encontros familiares, confortos materiais, uma amizade, seria uma pessoa amarga e teria a vergonha do passado perseguindo-o sempre. É como se ao estender a mão à esposa culpada e ao amigo traidor, estivesse estendendo também a mão à sua felicidade.
A sua imagem tem que ser mantida: “Ele desceu as escadas, quatro a quatro, mas embaixo, como dominado pela decência grave da escada, procurou calmar-se, abotoou a sobrecasaca, passou as mãos pela face, preparando-se para passar diante dos seus vizinhos, naquele ar que o fazia estimado e respeitado”. Mesmo com a traição consumada, Godofredo dá a Ludovina o presente que lhe havia comprado. Depois que sai de casa para acalmar-se, anda pelas ruas da cidade sem tomar conhecimento de por onde está andando. Pensa em morrer, mas o pensamento de que a firma passaria a ser só do Machado e que a vida deste em nada mudaria o faz mudar de ideia: “Sim, o outro ficaria bem contente, se ele desaparecesse essa noite. Sentiria um completo alívio. Um ou dois dias mostrar-se-ia pesaroso, talvez se sentisse realmente perturbado. Mas depois continuaria a vida: a firma seria Machado & Cia.; ele continuaria a ter amantes, ir ao teatro, a pôr cera moustache no bigode. Isto não era justo. Fora o outro que causava a ruína duma felicidade, era ele que devia morrer. Era o Machado que devia desaparecer; era ele que se devia matar. Isso seria mais justo”. Para lavar a sua honra ou para que ele ou Machado morram, já que acha que esta é a única reparação plausível, inicialmente procura Machado para que eles tirem na sorte quem deve morrer, mas este não concorda com a ideia. Acha um absurdo, pois o mal que fez ao antigo amigo não é para tanto e pede que Alves seja racional. Este sai à procura dos amigos Medeiros e Carvalho. Este por sua vez, está envolvido em um caso de traição, mas ele sendo o traidor. Godofredo coloca-se no lugar do marido traído por homens como Medeiros, ao qual, ironicamente, Alves deixará a cargo de acertar os arranjos de sua honra. Quando os amigos sabem da ideia de Godofredo logo insistem para ele mude de ideia, pois a traição não é motivo para tanto. Seus amigos saem à procura dos amigos de Machado, que também acham que a traição não é motivo para tal duelo com apenas uma arma carregada. Não importa o que aconteceu ao amigo, a imagem de Alves e a deles próprios têm que ser preservadas, pois são pessoas públicas, de certo poder aquisitivo e não podem ter as suas reputações manchadas. As relações sociais passam pelo financeiro e não pela honra. Godofredo já não consegue dar conta da administração da casa, pois as empregadas percebem que ele nunca as mandará embora com medo de que elas espalhem a notícia da traição e por isso mesmo, não estão mais fazendo as suas obrigações como deveriam. Com a desculpa de que necessita ajuda em casa e já pronto para uma reconciliação, ao encontrar Lulu na rua em passeio com a irmã, as pede para ir à sua casa, onde faz as pazes com a ex-mulher e a leva par uma nova lua de mel em Sintra. Tempos depois, Alves vê a criada dando uma carta à sua senhora, o que levanta-lhe novamente as suspeitas de traição, mas ao confrontar a mulher, descobre que é apenas a carta de uma senhora agradecendo a ajuda financeira dada por Lulu. Depois de perdoar a mulher, perdoa também o amigo Machado. Daí em diante, prosperam tanto as relações comerciais quanto as relações de amizade e familiares. Os três convivem socialmente até o fim de suas vidas. À época da morte da mãe do sócio, Godofredo o consola. A partir daí, os casos daquele são menos significativos: senhoras casadas, raparigas espanholas e ele acaba-se casando. Duas vezes, pois a primeira esposa morre. Ao fim da novela, Alves faz uma pequena exaltação à sua prudência: “Que coisa prudente é a prudência!”. Não tivesse sido a sua prudência, “estaria agora ainda separado de sua mulher, teria quebrado a sua amizade íntima e comercial com o seu sócio, a sua firma não teria prosperado, nem a sua fortuna aumentado; e o seu interior teria sido o dum solteirão azedado, dependente de criadas, maculado talvez pela libertinagem”. Vinte anos havia se passado e se não fosse a sua prudência, teria perdido encontros familiares, confortos materiais, uma amizade, seria uma pessoa amarga e teria a vergonha do passado perseguindo-o sempre. É como se ao estender a mão à esposa culpada e ao amigo traidor, estivesse estendendo também a mão à sua felicidade.
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