Mostrando postagens com marcador Livros.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Livros.. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Quem é você, Alasca?, de John Green.


"Quem é você, Alasca?" me lembrou vagamente "Os 13 porquês" do Jay Asher. Vagamente... Talvez pelo mistério sobre se foi acidente ou suicídio e os amigos tentando entender o porquê, caso tenha sido suicídio... Mas vamos ao livro... Miles, vulgo Bujão, sai de sua cidade natal para estudar em Culver Creek, em busca do seu grande talvez, que segundo o autor diz no livro foram as últimas palavras de François Rabelais (Miles é apaixonado por últimas palavras). Lá faz amizade com Chip, mais conhecido como Coronel, e começa a fazer parte da turma que apronta no colégio - bebidas, cigarros e trotes passam a fazer parte da vida de Miles. Através do Coronel, conhece Alasca e o encontro com ela mudará a sua vida, de certa maneira. Alasca é inteligente, divertida, um tanto quanto misteriosa e muda repentinamente de humor... Completam a turma de amigos, Lara, que vai ser uma espécie de primeira namorada de Miles, e Takumi. Bem, o livro não é ruim, mas possui partes bem maçantes e em alguns momentos eu pensei realmente em abandonar a leitura, mas decidi ir em frente. Do meio pro fim fica melhor, já que no meio vai acontecer o fato que meio vai dar o tom geral do livro. Em algumas passagens, podemos tratar algumas reflexões acerca da vida. Um bom livro pra quem busca uma leitura fácil e rápida. 

sábado, 29 de julho de 2017

A maldição do Titã, de Rick Riordan.


" A maldição do Titã" é o terceiro livro da série "Percy Jackson e os Olimpianos". Depois de serem chamados por Grover, Annabeth, Percy e Thalia partem para resgatar dois meio-sangues, pois estes estão ficando cada vez mais raros no Acampamento Meio-sangue. Durante a missão, Annabeth desaparece. Ártemis resolve ir atrás do monstro que caiu no penhasco e desaparece também. Enquanto isso, Percy tem sonhos que podem dar pistas de onde as duas se encontram. Tudo faz parte do plano de Cronos, que tenta fazer com que uma velha profecia seja cumprida para destruir o Olimpo. 

1822, de Laurentino Gomes.


"1822" é uma espécie de continuação de 1808. O autor retoma as explicações do processo de transformação do Brasil em uma nação, com ênfase aqui no processo de Independência. A noção de que foi algo pacífico é derrubada, pois vemos que o processo todo durou quase dois anos de muita luta, nas mais diversas regiões do país. O Brasil tinha tudo para dar errado. A maioria da população era escrava e entre os livres, a maioria era analfabeta. Vemos que José Bonifácio e Leopoldina tiveram um importante papel durante o processo de Independência e que às vezes tudo corria o risco de ir por água abaixo por causa do amor de Demonão por Titília, Domitila de Castro, a futura Marquesa de Santos. Como disse quando escrevi sobre "1808", também vemos que a corrupção e a falcatrua na política é algo que está enraizado em nosso país desde o seu princípio. Para quem gosta de História, acho um bom livro para ser lido. 

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Chuva sobre Havana, de Julio Travieso Serrano.


Em "Chuva sobre Havana", temos uma Havana crua e sem disfarces. A Havana dos traficantes, das jineteras (mulheres que se prostituem com estrangeiros em troca de dólares), dos permuteros (espécie de corretor de imóveis, o que é ilegal em Cuba), das pessoas que fogem nos botes de pneus procurando uma vida melhor. Aliás, a maioria das pessoas retratadas no livro estão atrás de uma vida melhor. A personagem principal do livro é o narrador, embora não seja nomeado, que lutou na revolução cubana contra o regime de Fulgêncio Batista, foi preso e torturado. Depois, tem um período áureo, com um bom cargo no governo, mas começa aos poucos a ver a sua vida pessoal e profissional declinar. Trabalha como permutero para poder sobreviver. Ele se apaixona por Mónica, uma jinetera, que tem um certo conforto material e gosta de literatura e dos Beatles. Malú, sua amiga, também jinetera, será a responsável pela mudança na vida das personagens e, de certa forma, pelos seus destinos. Não sabemos exatamente em qual tempo se passa a narrativa e os fatos narrados muitas vezes vão e vêm, não seguindo uma ordem cronológica. 

Bling Ring: a gangue de Hollywood, de Nancy Jo Sales.


Comecei a ler "Bling Ring" e confesso que não esperava muita coisa dele. O livro é o relato da Nancy Jo Sales contando como ela conseguiu as entrevistas e os dados para o artigo que fez sobre a Bling Ring, "Os suspeitos usavam Louboutin" para a Vanity Fair. O livro não é uma ficionalização do caso, como se pode pensar, já que a capa tem os atores do filme, mas é o relato da história real, com os nomes reais aparecendo e a repórter colocando os seus pensamentos e impressões sobre o que escutava e via. O livro me fez pensar muito sobre o culto exacerbado às celebridades. A "gangue de Hollywood" era formada por adolescentes que gostavam de moda e que cultuavam essas celebridades e suas roupas caras. E era como se ao entrarem nas casas dessas pessoas e roubarem as suas coisas, e depois passando a usá-las, esses adolescentes se sentissem mais perto dos seus ídolos, sentissem que também faziam parte daquele mundo. Entre 2008 e 2009 eles roubaram as casas de Paris Hilton, Lindsay Lohan, Orlando Bloom, Brian Austin Green, só para citar alguns. A coisa toda, pelo menos pra mim, era tão bizarra que eles roubavam e usavam as roupas das celebridades, indo a lugares públicos, postando fotos nas redes sociais, numa ostentação sem limites. será que achavam que nunca seriam pegos? Alguns relatos dos adolescentes ouvidos dão a impressão de que pra eles aquilo tudo era como se fosse uma grande brincadeira. Isso tudo me lembrou de um professor que eu tinha quando cursava História, que dizia que já tivemos uma época em que o que importava era o ser, depois o ter e agora importava o parecer ser... Mesmo que não fossem tão ricos, embora não fossem necessariamente pobres, quando usavam as roupas e objetos das celebridades, pareciam fazer parte daquele mundo. Algumas partes do livro são um pouco repetitivas, mas achei uma leitura boa e reflexiva. Acho muito válida, principalmente para pais de adolescentes pensarem a relação dos seus filhos com as tais celebridades. 

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Leonardo e a invenção mortal, de Robert J. Harris.


"Leonardo e a invenção mortal" mistura realidade e ficção ao narrar uma aventura ficcional da juventude de Leonardo da Vinci. Temos personagens reais, como Lourenço de Médici, Botticelli, Lucrécia Donati e ficcionais, como Fresina e Silvestro. O livro se passa em 1466, época em que Leonardo tem entre 15, 16 anos e é aprendiz na oficina de Andrea del Verocchio, onde está insatisfeito, pois só consegue tarefas que não considera importantes, mas num belo dia, ao fazer um trabalho externo para Andrea, se depara com um desenho que trará mais emoção à sua vida. Ao presenciar um assassinato, ele se torna procurado pela Guarda Civil, juntamente com Fresina, a quem ajudou a fugir. E terá a chance de ajudar uma grande figura de Florença, Pedro de Médici. O autor dá um destaque maior à ideia de Leonardo de que em algum momento os homens poderiam voar. E sempre destaca a inteligência de da Vinci, como também a sua memória fotográfica, como vemos quando ele redesenha o desenho que vê na oficina de Silvestro e quando consegue andar pelo palácio de Luca Pitti, após ter visto a planta do local somente uma vez e por pouco tempo. O livro tem uma linguagem muito fácil e a leitura é rápida; Eu li em um dia. Ao fim do livro, no epílogo, o autor esclarece quem é real e quem é ficcional e o que aconteceu com as personagens "reais". Uma observação a fazer é que o autor fala de futebol no século XV, mas o futebol só surge no século XIX. Talvez a ideia do jogo provavelmente já venha bem de antes, mas não sei se podemos falar em futebol. Enfim... Futebol à parte... Recomendo!!!


sexta-feira, 14 de julho de 2017

Mau começo, de Lemony Snicket.



Recentemente li "Mau começo", o primeiro livro das "Desventuras em série" dos irmãos Baudelaire: Violet, Klaus e Sunny. Do início ao fim do livro é só desventura na vida dos irmãos. Os pais morrem num incêndio enquanto estão na praia; vão morar com o Sr. Poe e dormem num quarto apertado, junto com os filhos deste, usando roupas que detestam; vão morar com um parente desconhecido, o Conde Olaf, que arquiteta um plano para ficar com o dinheiro deles. O único alívio na vida dos irmãos é a juíza Strauss, a vizinha do Conde Olaf que os trata bem e os quer como filhos. No fim, quando você pensa que finalmente os irmãos terão um final feliz, você está totalmente enganado rs. O livro é bom tanto para crianças como para adultos que estão buscando uma leitura mais leve. Leitura rápida, fácil e que prende o leitor. 

quinta-feira, 22 de junho de 2017

A droga da obediência, de Pedro Bandeira.


De ontem pra hoje li "A droga da obediência", de Pedro Bandeira. Acho que eu era umas das poucas pessoas que conheço que ainda não tinham lido um livro dele. Bem, esse é o primeiro livro da série Os Karas (o avesso dos coroas, o contrário dos caretas!), que narra as aventuras do grupo homônimo formado por Miguel, Chumbinho, Magrí, Calu e Crânio. Estudantes dos melhores colégios de São Paulo estão desaparecendo e quando os desaparecimentos chegam ao Colégio Elite, é lógico que os Karas vão querer resolver o mistério. Logo descobrem que o desaparecimento se dá por causa da droga da obediência do título, que está sendo distribuída nos colégios e faz quem a usa agir sem questionar. Um belo paralelo pode se fazer com a época em que o livro foi escrito, no fim da ditadura militar, na qual não interessava ao sistema que se fosse desobediente ou se pensasse diferente do que o Estado queria. Como diz Miguel em uma das passagens do livro, somente a desobediência modifica o mundo. O livro tem uma linguagem fácil e é uma leitura bem rápida, mas que nos leva muito a refletir. Recomendo!!!

segunda-feira, 19 de junho de 2017

1808, de Laurentino Gomes.


Comecei a ler 1808 sem grandes pretensões, mas o livro realmente me surpreendeu. É muito bom! A obra conta o processo da transferência da família real para o Brasil e percebemos que a vinda para o Brasil não foi pensada de uma hora para outra, mas era já um desejo antigo da Corte Portuguesa, que com as ameaças de Napoleão, se viu com a faca e o queijo na mão e aproveitou a oportunidade. A vinda não foi fácil e o que tinha tudo para dar errado, acaba dando certo, dentro das possibilidades existentes. O livro é dividido em capítulos, que tanto têm como tema personagens, como D. João VI e Carlota Joaquina, como também alguns eventos históricos, como é o caso da Revolução Pernambucana, de 1817, que eu nem sabia, acaba atrasando a coroação de D. João VI em um ano. Pra quem pensa que a roubalheira na política começou agora, vá ler o livro. A corrupção no Brasil já vem de muito tempo. E o descontrole dos gastos públicos também. Mesmo falida, a corte dava muitas festas. A que mais me chamou atenção foi a do casamento de Leopoldina e Pedro I, em Viena, em que, atualizando para os valores atuais, foi gasto em torno de R$9.000,00 com cada convidado. Outra coisa que me chamou atenção foi o processo de transporte da Biblioteca Real para o Brasil. Na correria da fuga, as caixas foram esquecidas no cais e apenas três anos depois, em 1811, acabaram de chegar ao Brasil. O trabalho de encaixotamento foi dado aos Santos Marrocos, pai e filho, que trabalhavam na Biblioteca Real. O filho, Luiz Joaquim, é o responsável por trazer os livros ao Brasil. E, como a história sempre está sendo (re)visitada e (re)atualizada, descobre-se uma filha que ele tem com a esposa, antes de se casarem, e que ao que parece, foi dada para adoção. Pra quem gosta de História do Brasil, eu recomendo, pois além de bom, é um livro de leitura fácil. 

terça-feira, 18 de abril de 2017

Os 13 porquês, de Jay Asher.


Os 13 porquês, de Jay Asher, é o livro que dá origem à série do momento, "13 reasons why". Depois que li o livro, fiquei pensando que talvez a série seja melhor que o livro, pelo bafafá que tá em torno dela. Ou talvez seja apenas pelo tema mesmo. Bem, o livro não é ruim, mas eu também não o achei excelente, embora realmente lhe faça pensar sobre o modo como as suas ações podem afetar a vida de outrem. E como às vezes as pessoas só querem ser ouvidas por alguém e anseiam por alguém que queira lhes conhecer de verdade. Acho que a história do livro todo mundo já sabe... Hannah Baker se suicida e isso todos já sabem desde o início. As pessoas responsáveis pela sua morte, os 13 porquês, recebem as fitas em que ela conta como aquelas pessoas podem ser responsabilizadas pelo seu suicídio e cada uma é responsável por passar as fitas adiante. O livro é narrado por duas pessoas, Hannah e Clay. Diferente da maioria dos livros em que as narrativas das personagens se dão em capítulos em separado, aqui temos a narrativa entrelaçada dos dois, o que é um ponto legal do livro, pois vamos sabendo o que Clay pensa enquanto escuta o que Hannah está falando. O livro me fez pensar em como é importante ter um amigo com o qual conversar sobre as coisas. Já passei por algumas situações do livro e ter um amigo fez toda a diferença do mundo. Clay poderia ter sido esse amigo, já que gostava dela, mas por conta de todos os boatos que circulavam sobre ela na escola, ele nunca tentou uma aproximação, com medo de descobrir quem era ela de verdade. Embora as pessoas sejam de certa forma culpadas pelo que aconteceu a Hannah, eu não sei até que ponto é "saudável" mandar fitas pras pessoas culpando-as pela sua morte. Esse é uma crítica que faço ao enredo do livro. O suicídio, pra mim, sempre foi sinal de desespero, de não ter mais saída. Nunca julguei quem já tentou se matar ou quem de fato se matou, pois não sei pelo que aquela pessoa passa para julgá-la. Enquanto lia, fui pensando em quantas possibilidades aquela menina tão jovem teria. No último capítulo, ela faz uma última tentativa com o professor orientador, que eu esqueci o nome agora, mas  que embora essa tentativa seja feita, parece que há muito ela já desistiu da vida. O bom do livro é que ele realmente lhe prende. Eu mesma fiquei muito curiosa para descobrir como aquelas 13 pessoas eram responsáveis pela morte de Hannah. Só não concordei muito com a inclusão de Clay nessa lista, mas enfim... O último capítulo é bonito com toda a certeza. Uma chance de recomeço. E no fim do livro tem os telefones que ajudam pessoas que pensam em suicídio, o que com certeza pode ser útil pra muita gente. E uma coisa legal que também temos aqui é que o autor apresenta o processo de criação da obra. Com certeza é um livro que merece ser lido, relido e debatido para que o que aconteceu com a Hannah da ficção aconteça cada vez menos com as Hannah's da vida real. 

quarta-feira, 12 de abril de 2017

O filho eterno, de Cristovão Tezza.


Semana passada terminei de ler "O filho eterno", de Cristovão Tezza. O livro recebeu vários prêmios, não que prêmios digam algo. Muitas vezes não dizem é nada rs, mas neste caso dizem sim. O livro é muito bom e te prende. Algumas passagens surpreende pela "crueza" da forma como é retratado o sentimento do pai pelo seu filho, como nas que ele pensa que gostaria que o filho morresse. Bem, o livro conta a história de um pai, sustentado pela esposa, escritor de romances sem sucesso e que se vê com um filho com síndrome de down. O desgosto é tanto que ele deseja que o filho morra muitas vezes e até evita falar dele com outras pessoas para que elas não perguntem sobre "os problemas" do garoto. Na verdade, o problema é mesmo com ele que não consegue aceitar o filho da forma como ele é. O livro se passa na década de 1980 e podemos perceber as diferenças de tratamento de uma pessoa com síndrome de down daquela época e as de hoje em dia. Naquele tempo se dizia que não viviam muito, que não podiam andar sozinhos na rua, as escolas ainda não tinham a estrutura necessária para atender essas crianças... Infelizmente, embora hoje em dia exista a lei da inclusão, muitas escolas ainda não estão preparadas. Voltando ao livro... Com o tempo, Felipe vai se desenvolvendo, seja com a ajuda da natação, dos médicos ou da arte, através dos seus desenhos, e o pai começa a percebê-lo de maneira diferente. A meu ver, a relação do pai para com o filho muda no dia em que este sai de casa sem que ninguém o veja e o pai vai atrás dele. O final do livro é muito bonito e a obra como um todo nos mostra o amadurecimento da relação entre o pai e o filho, de uma maneira muitas vezes crua, dura, mas talvez por isso mesmo, muito bonita. 



segunda-feira, 3 de abril de 2017

Admirável mundo novo, de Aldous Huxley.


Admirável mundo novo é um daqueles livros que você lê e que lhe dão uma sacudida do seu lugar comum. É um livro excelente, que embora escrito na década de 1930 ainda se faz muito atual. Um verdadeiro clássico da literatura! A obra narra um futuro distópico, no qual as pessoas são condicionadas a fazerem o que quer o Estado, em nome da estabilidade social, pois "não há civilização sem estabilidade social e não há estabilidade social sem estabilidade individual". Os seres humanos são criados em série, a partir do processo Bokanovsky e condicionados desde cedo, a partir do sistema hipnopédico, em que as lições eram repetidas ao extremo durante o sono dos "indivíduos" (Entre aspas porque não há individualidade. Há um monte de gente que forma um todo), para que ficassem gravadas em seus inconscientes. As pessoas não sabem lidar com problemas, tristezas, guerras, pois tudo isso desestabilizaria o indivíduo e a sociedade, e consequentemente a civilização. Para não lidar com as dores/ problemas/ sofrimentos do dia-a-dia cada cidadão recebe uma dose diária de soma, uma espécie de inibidor de emoções. Já não há família, casamento, relações duradouras, pois estas são coisas antigas que não servem para a civilização atual. A sociedade é dividida em castas, tendo cada uma delas um papel social significativo dentro da sociedade e é importante que todos os grupos desempenhem bem os seus papéis, para que a sociedade não se desestabilize. Os únicos livros que se conhece são os livros que falam como manter a sociedade em bom funcionamento. John, o "selvagem", do povo que mantém os antigos costumes, é quem terá o hábito de ler os livros de Shakespeare. O "selvagem" é mais civilizado que os civilizados, que já não têm pensamentos próprios e não admiram as artes e as ciências... Deus é substituído por Ford. Sim, aquele mesmo que inventou a produção em massa, já que tudo nesta sociedade é fabricado em massa, até mesmo os humanos e as suas identidades. Não há um Deus como o conhecemos. Apenas o "Selvagem" é que possui uma ligação com Deus. O "Selvagem" que tanto queria conhecer o Admirável mundo novo, mas que ao conhecê-lo, perceberá que ele não é tão admirável assim. A ciência aqui não é nossa aliada, mas nos desumaniza e nos "desindividualiza". Um excelente livro, que faz você perceber que, embora as coisas apresentadas no livro sejam absurdas, elas estão mais próximas de nós do que imaginamos. Vale muito a pena ler!!!

sexta-feira, 24 de março de 2017

Confissões de adolescente, de Maria Mariana.



Peguei "Confissões de adolescente" pra tombar na biblioteca em que trabalho. Comecei a ler e não parei mais. O livro é baseado nos diários que a Maria Mariana escrevia durante a adolescência. No livro ela meio que mantém essa estrutura de diário. Os capítulos não possuem ligação um com o outro e eles são feitos a partir de temas. Tem o da primeira vez, o do aborto, o da primeira vez que usou maconha. Achei o livro bem verdadeiro em termos de adolescência. Tanto tem questões profundas, como besteiras, como as efêmeras paixões da adolescência que a gente acha que vai durar a vida toda... Uma coisa que achei bem legal dessa edição é que vem os depoimentos das atrizes que participavam da peça (Maria Mariana, Patrícia Perrone, Ingrid Guimarães e Carol Machado) sobre a vida deles e o ser adolescente. Aí veio a parte que mais me tocou. A relação delas com o teatro e eu  tive como não sentir uma saudade da gota da época em que eu fazia teatro. Fui levada a me perguntar porque eu não insisti mais um pouquinho na carreira, mas a vida é o que é e às vezes não vale muito a pena ficar pensando no que poderia ter sido, mas focar no que é e no que pode ser... Deu uma certa saudade da adolescência ler esse livro. Pelo menos das partes boas...

Para sempre Alice, de Lisa Genova.


No último fim de semana li "Para sempre Alice", de Lisa Genova. Achei o livro muito bom, bem melhor que o filme. Alice é professora de Psicologia, com foco em Linguística e que começa a esquecer das coisas. No início, acha que é normal, mas aos poucos percebe que está esquecendo de coisas mais importantes, como onde fica a sua casa. Depois que vai ao médico e faz alguns exames, descobre que tem o mal de Alzheimer com instalação precoce. Descobrir aos 50 anos e com toda uma carreira pela frente não é fácil para Alice, que é uma mulher ativa física e intelectualmente. Assim como no filme, uma das partes mais bonitas do livro é a que ela faz o seu discurso num encontro dos portadores da doença, nos dando um belo retrato do que é tê-la. Ao longo das páginas, vemos como Alice vai sucumbindo a ela e como isso a afeta e à sua família. E vale destacar a nova relação que ela vai criar com a filha mais nova, da qual não era próxima. Ela é quem talvez mais vá entender o que a mãe está passando nesse momento. Embora a narração seja em 3ª pessoa, em muitos momentos temos a impressão de que é a própria Alice que narra, já que o narrador faz questão de narrar como se ele próprio tivesse a doença, repetindo alguns acontecimentos. O livro nos traz um retrato emocionante do que é ter a doença. Me emocionei em várias partes do livro, principalmente com o discurso. E refleti muito sobre a vida... Vale muito a pena ler!!!

quarta-feira, 22 de março de 2017

Jane Eyre, de Charlotte Brontë.


Terminei de ler recentemente "Jane Eyre", de Charlotte Brontë. Bem, sem sombra de dúvidas este é um dos melhores livros que já li, daqueles que te prendem e é quase impossível você parar de ler. O livro conta a história de uma órfã, que vai viver com a sua tia e é maltratada por esta. Um belo dia, resolve revidar as acusações que a tia lhe faz e esta resolve lhe mandar para um colégio interno. Talvez no colégio interno seja o lugar em que ela sentirá o primeiro alívio na vida, ao conhecer Hellen, uma garota doente e muito conformada com a ordem das coisas no mundo, ao contrário de Jane, que sempre as contesta, questionando o papel da mulher na sociedade em que vive e querendo sempre mais do que a ela é destinado naquele momento na sociedade inglesa. Jane não é extremamente bonita, e isso sempre é muito bem colocado no livro, a colocando sempre em contraste com as suas primas ou com outras personagens femininas, como a pretendente do Sr. Rochester, mas é inteligente, pinta bem, é sagaz, sempre apresentando uma boa resposta e questionando o mundo e exatamente por isso é que o seu patrão, Edward Rochester, acaba se apaixonando por ela, mas um segredo do passado dele acaba os separando. Talvez seja importante dizermos que o Sr. Rochester também não é bonito, pelo menos Jane não o acha bonito da primeira vez em que o vê, nem da segunda, mas com a construção da relação deles, o amor vai os tornando bonitos aos olhos um do outro. Uma outra coisa que merece ser destacada aqui é o tipo de relação que Jane mantém com o Sr. Rochester e com St. John. O Sr. Rochester a ama justamente por quem ela é, ele realmente a admira, enquanto St. John quer casar-se com ela e a transformar numa mulher de missionário, o que meio que tenta fazer lhe dando aulas de hindu. É interessante notarmos em St. John que embora o seu amor por Deus seja grande e sua vontade de fazer obras em nome Dele também, ele parece que não consegue manter uma relação mais próxima com as pessoas, seja numa amizade ou num relacionamento amoroso. Como Jane Eyre é um belo exemplar do romantismo inglês, espere ver cenas com um toque um tanto quanto gótico e muitas descrições a respeito do cenário. Há uma certa pitada de sobrenatural no livro, mas aos poucos vamos desvendando o mistério. Com certeza a obra de Charlotte Brontë merece ser lida por todos aqueles que gostam de um bom livro. Recomendo!!!

terça-feira, 5 de julho de 2016

Depois de você, de Jojo Moyes.


Fiquei com certa curiosidade em relação a "Depois de você". Tenho certas desconfianças com continuações de livros que não foram pensados para serem continuados. Mas enfim... Vamos ao livro... Ele não é ruim, embora não seja tão bom quanto o primeiro. A mim, particularmente, não sei se também por já ter sofrido um acidente e quase ficado sem andar, mas o primeiro me trouxe muitas reflexões sobre a vida, sobre o que poderia ter me acontecido se eu ficasse sem andar. Pela primeira vez, eu entendi a vontade de uma pessoa de tirar a própria vida. Lógico que Lou não ficaria imune a isso, pois foram seis intensos meses que ele passou ao lado de Will. "Depois de você" mostra a luta de Lou para voltar a ser ela mesma depois do que aconteceu. Confesso que senti falta de Will em muitas partes do livro, mas aos poucos fui aprendendo a gostar de Sam, o homem pelo qual Lou se apaixona neste livro. Pode ser apenas impressão minha, mas aqui temos uma Lou mais madura que no primeiro livro. Pelo agir, pelo falar e até pelo vestir (diriam alguns), já que ela abandona o seu antigo guarda-roupa colorido e se torna uma pessoa mais basiquinha. Lily, personagem do passado de Will, é que é meio que responsável por trazer a velha Lou colorida de volta, embora também lhe seja motivo para muitas preocupações. Lou passa por maus bocados e é bom vê-la sair quase do fundo do poço para um novo amor e uma nova vida, achando um meio termo entre aquilo que Will queria que ela fizesse e o que ela realmente quer fazer. Acho que um dos pontos altos deste livro não é nem a história de Lou em si, mas a de Josie, sua mãe. As transformações pelas quais a personagem passa no decorrer do livro e como elas afetam a sua vivência na família me trouxeram boas reflexões. Quem gostou do primeiro, vale a pena ler para reencontrar personagens antigas e conhecer novas. Será que vamos ter filme? Espero que sim!!!

quinta-feira, 12 de maio de 2016

É isto um homem?, de Primo Levi.


Esta semana acabei de ler "É isto um homem?", de Primo Levi. Não posso falar por todos, mas quando acabei de ler o livro não pude deixar de fazer a pergunta "Eram homens aqueles nos campos de concentração ou eram já espectros de homem? No livro, Levi conta as suas experiências num campo de concentração e, como, estando lá, o que importava era viver, mesmo que a moral e a consciência do certo e errado fossem deixados de lado. Temos violência, privações, maus tratos, perda de identidade, pois os prisioneiros nem seus nomes portavam mais, apenas seus números de matrícula, de acordo com a chegada no campo. No livro, vemos que muitos prisioneiros roubavam ou se aliavam ao inimigo para a sua própria sobrevivência. E quem poderia julgá-los? muitos de nós faríamos a mesma coisa naquelas precárias condições e sem perspectiva de muito tempo de vida. Abaixo, um dos trechos do livro que achei mais marcantes:

Pela primeira vez, então, nos damos conta de que a nossa língua não tem palavras para expressar esta ofensa, a aniquilação de um homem. Num instante, por intuição quase profética, a realidade nos foi revelada: chegamos ao fundo. Mais para baixo não é possível. Condição humana mais miserável não existe, não dá para imaginar. Nada mais é nosso: tiraram-nos as roupas, os sapatos, até os cabelos; se falarmos, não nos escutarão – e, se nos escutarem, não nos compreenderão. Roubarão também o nosso nome, e, se quisermos mantê-lo, deveremos encontrar dentro de nós a força para tanto, para que, além do nome, sobre alguma coisa de nós, do que éramos. (LEVI, 1988, p.32)

Levi consegue sobreviver pela sua formação em Química, por estar doente no momento em que os alemães fogem dos soviéticos e abandonam o campo, não participando assim da conhecida Marcha da morte. Sobreviveu porque em muitos momentos deixou a sua consciência de lado para lutar pela sua vida. "É isto um homem?" é um livro que todos deveriam ler, para que nunca mais deixássemos preconceitos e intolerâncias roubarem a nossa humanidade. Um livro que verdadeiramente nos tira de nosso lugar comum. Relato cru e belíssimo das vidas nos campos de concentração!

Ulomma, a casa da beleza e outros contos, de Sunny.


No último dia 30, tive o prazer de participar de uma oficina de contos africanos com Sunny. Quem se interessa por contos africanos e nunca participou, vá que você não se arrependerá. Já tinha ouvido falar de Ulomma ainda quando fazia especialização em Ensino de História. Falei tanto no livro que acabei ganhando de minha mãe. Bem, Ulomma possui cinco contos e eles são escritos a partir das memórias do autor, de quando ouvia histórias de sua mãe quando criança. Alguns contos são conhecidos nossos, como o da tartaruga que cai do céu. A partir deles, temos um pouco da essência da África, pois os contos nos passam valores importantes para aquela civilização. Uma coisa legal do livro é que as canções das histórias vêm em sua língua de origem com a tradução para o português embaixo. As ilustrações de Denise Nascimento são um show à parte. Belíssimas ilustrações para um belíssimo livro. Vale a pena lê-lo e apresentá-lo às crianças com as quais convive. 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Um conto sombrio dos Grimm, de Adam Gidwitz.


De ontem pra hoje li "Um conto sombrio dos Grimm", de Adam Gidwitz. Bem, o autor se propõe a contar a "verdadeira" história de João e Maria, mas o que é o verdadeiro quando se fala de contos orais coletados posteriormente para preservar uma tradição, e mesmo que não fossem contos originariamente orais, quem conta um conto, aumenta um ponto... Mas, vamos ao livro... A edição é muito boa e as ilustrações ajudam no tom "sombrio" do livro. Coloco "sombrio" porque neste sentido o livro deixa muito a desejar, embora a versão apresentada pelo autor seja boa, pois o enredo é construído a partir da mesclagem de João e Maria e de outros contos dos Irmãos Grimm. Uma coisa legal do livro é que em algumas partes o narrador dirige-se diretamente ao leitor, embora eu ache que o autor usou muito este artifício em algumas partes. Já estava me irritando a insistência para tirar as crianças menores de junto (Seu livro é para crianças, querido Adam). Em relação à história, aqui João e Maria são filhos de reis. Depois de serem decapitados pelo pai para que o fiel Johannes voltasse à sua forma humana, eles resolvem sair de casa atrás de um lar com adultos que os tratassem bem, mas o que encontram em suas aventuras não é bem isso, a exemplo da dona da casa feita de doces, da versão mais conhecida da história. Pra quem gosta de contos de fadas e desta repaginação que eles estão passando ultimamente, assim como eu, é uma boa leitura.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Contos da Mamãe Gansa ou Histórias do tempo antigo, de Charles Perrault.


Ontem acabei de ler "Contos da Mamãe Gansa", de Perrault, livro originalmente publicado em 1697 e que carrega uma dúvida em relação à sua autoria. Se teria sido mesmo Perrault ou o seu filho Pierre a escrevê-lo, mas dúvidas de autoria à parte, gostei muito desta edição da Cosac Naify. O livro é formado por nove contos. Alguns bem conhecidos, como Chapeuzinho Vermelho, Cinderela, A Bela adormecida no bosque, O Gato de Botas, Barba-azul e O Pequeno Polegar e outros nem tanto, como Riquet, o topetudo; As fadas e Pele de asno. Algumas histórias são diferentes da versão que se tornou popular e outras são diferentes em relação à versão dos Grimm, como é o caso de Cinderela. Para cada história, há uma técnica de ilustração diferente e diferentes tipos de papeis, o que pra mim torna a edição ainda mais primorosa. Assim como os Grimm, Perrault coletou as histórias orais contadas em sua época e as compilou. Todos os contos têm uma moral ao final. Ri muito com a de Chapeuzinho Vermelho, que aconselha as moças a terem cuidado com os lobos soltos por aí rs. Bem, pra quem gosta de contos de fadas, como eu, ou para quem tem criança em casa, é uma boa pedida. Recomendo!!!