terça-feira, 1 de agosto de 2017

Quem é você, Alasca?, de John Green.


"Quem é você, Alasca?" me lembrou vagamente "Os 13 porquês" do Jay Asher. Vagamente... Talvez pelo mistério sobre se foi acidente ou suicídio e os amigos tentando entender o porquê, caso tenha sido suicídio... Mas vamos ao livro... Miles, vulgo Bujão, sai de sua cidade natal para estudar em Culver Creek, em busca do seu grande talvez, que segundo o autor diz no livro foram as últimas palavras de François Rabelais (Miles é apaixonado por últimas palavras). Lá faz amizade com Chip, mais conhecido como Coronel, e começa a fazer parte da turma que apronta no colégio - bebidas, cigarros e trotes passam a fazer parte da vida de Miles. Através do Coronel, conhece Alasca e o encontro com ela mudará a sua vida, de certa maneira. Alasca é inteligente, divertida, um tanto quanto misteriosa e muda repentinamente de humor... Completam a turma de amigos, Lara, que vai ser uma espécie de primeira namorada de Miles, e Takumi. Bem, o livro não é ruim, mas possui partes bem maçantes e em alguns momentos eu pensei realmente em abandonar a leitura, mas decidi ir em frente. Do meio pro fim fica melhor, já que no meio vai acontecer o fato que meio vai dar o tom geral do livro. Em algumas passagens, podemos tratar algumas reflexões acerca da vida. Um bom livro pra quem busca uma leitura fácil e rápida. 

sábado, 29 de julho de 2017

A maldição do Titã, de Rick Riordan.


" A maldição do Titã" é o terceiro livro da série "Percy Jackson e os Olimpianos". Depois de serem chamados por Grover, Annabeth, Percy e Thalia partem para resgatar dois meio-sangues, pois estes estão ficando cada vez mais raros no Acampamento Meio-sangue. Durante a missão, Annabeth desaparece. Ártemis resolve ir atrás do monstro que caiu no penhasco e desaparece também. Enquanto isso, Percy tem sonhos que podem dar pistas de onde as duas se encontram. Tudo faz parte do plano de Cronos, que tenta fazer com que uma velha profecia seja cumprida para destruir o Olimpo. 

1822, de Laurentino Gomes.


"1822" é uma espécie de continuação de 1808. O autor retoma as explicações do processo de transformação do Brasil em uma nação, com ênfase aqui no processo de Independência. A noção de que foi algo pacífico é derrubada, pois vemos que o processo todo durou quase dois anos de muita luta, nas mais diversas regiões do país. O Brasil tinha tudo para dar errado. A maioria da população era escrava e entre os livres, a maioria era analfabeta. Vemos que José Bonifácio e Leopoldina tiveram um importante papel durante o processo de Independência e que às vezes tudo corria o risco de ir por água abaixo por causa do amor de Demonão por Titília, Domitila de Castro, a futura Marquesa de Santos. Como disse quando escrevi sobre "1808", também vemos que a corrupção e a falcatrua na política é algo que está enraizado em nosso país desde o seu princípio. Para quem gosta de História, acho um bom livro para ser lido. 

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Chuva sobre Havana, de Julio Travieso Serrano.


Em "Chuva sobre Havana", temos uma Havana crua e sem disfarces. A Havana dos traficantes, das jineteras (mulheres que se prostituem com estrangeiros em troca de dólares), dos permuteros (espécie de corretor de imóveis, o que é ilegal em Cuba), das pessoas que fogem nos botes de pneus procurando uma vida melhor. Aliás, a maioria das pessoas retratadas no livro estão atrás de uma vida melhor. A personagem principal do livro é o narrador, embora não seja nomeado, que lutou na revolução cubana contra o regime de Fulgêncio Batista, foi preso e torturado. Depois, tem um período áureo, com um bom cargo no governo, mas começa aos poucos a ver a sua vida pessoal e profissional declinar. Trabalha como permutero para poder sobreviver. Ele se apaixona por Mónica, uma jinetera, que tem um certo conforto material e gosta de literatura e dos Beatles. Malú, sua amiga, também jinetera, será a responsável pela mudança na vida das personagens e, de certa forma, pelos seus destinos. Não sabemos exatamente em qual tempo se passa a narrativa e os fatos narrados muitas vezes vão e vêm, não seguindo uma ordem cronológica. 

Bling Ring: a gangue de Hollywood, de Nancy Jo Sales.


Comecei a ler "Bling Ring" e confesso que não esperava muita coisa dele. O livro é o relato da Nancy Jo Sales contando como ela conseguiu as entrevistas e os dados para o artigo que fez sobre a Bling Ring, "Os suspeitos usavam Louboutin" para a Vanity Fair. O livro não é uma ficionalização do caso, como se pode pensar, já que a capa tem os atores do filme, mas é o relato da história real, com os nomes reais aparecendo e a repórter colocando os seus pensamentos e impressões sobre o que escutava e via. O livro me fez pensar muito sobre o culto exacerbado às celebridades. A "gangue de Hollywood" era formada por adolescentes que gostavam de moda e que cultuavam essas celebridades e suas roupas caras. E era como se ao entrarem nas casas dessas pessoas e roubarem as suas coisas, e depois passando a usá-las, esses adolescentes se sentissem mais perto dos seus ídolos, sentissem que também faziam parte daquele mundo. Entre 2008 e 2009 eles roubaram as casas de Paris Hilton, Lindsay Lohan, Orlando Bloom, Brian Austin Green, só para citar alguns. A coisa toda, pelo menos pra mim, era tão bizarra que eles roubavam e usavam as roupas das celebridades, indo a lugares públicos, postando fotos nas redes sociais, numa ostentação sem limites. será que achavam que nunca seriam pegos? Alguns relatos dos adolescentes ouvidos dão a impressão de que pra eles aquilo tudo era como se fosse uma grande brincadeira. Isso tudo me lembrou de um professor que eu tinha quando cursava História, que dizia que já tivemos uma época em que o que importava era o ser, depois o ter e agora importava o parecer ser... Mesmo que não fossem tão ricos, embora não fossem necessariamente pobres, quando usavam as roupas e objetos das celebridades, pareciam fazer parte daquele mundo. Algumas partes do livro são um pouco repetitivas, mas achei uma leitura boa e reflexiva. Acho muito válida, principalmente para pais de adolescentes pensarem a relação dos seus filhos com as tais celebridades. 

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Leonardo e a invenção mortal, de Robert J. Harris.


"Leonardo e a invenção mortal" mistura realidade e ficção ao narrar uma aventura ficcional da juventude de Leonardo da Vinci. Temos personagens reais, como Lourenço de Médici, Botticelli, Lucrécia Donati e ficcionais, como Fresina e Silvestro. O livro se passa em 1466, época em que Leonardo tem entre 15, 16 anos e é aprendiz na oficina de Andrea del Verocchio, onde está insatisfeito, pois só consegue tarefas que não considera importantes, mas num belo dia, ao fazer um trabalho externo para Andrea, se depara com um desenho que trará mais emoção à sua vida. Ao presenciar um assassinato, ele se torna procurado pela Guarda Civil, juntamente com Fresina, a quem ajudou a fugir. E terá a chance de ajudar uma grande figura de Florença, Pedro de Médici. O autor dá um destaque maior à ideia de Leonardo de que em algum momento os homens poderiam voar. E sempre destaca a inteligência de da Vinci, como também a sua memória fotográfica, como vemos quando ele redesenha o desenho que vê na oficina de Silvestro e quando consegue andar pelo palácio de Luca Pitti, após ter visto a planta do local somente uma vez e por pouco tempo. O livro tem uma linguagem muito fácil e a leitura é rápida; Eu li em um dia. Ao fim do livro, no epílogo, o autor esclarece quem é real e quem é ficcional e o que aconteceu com as personagens "reais". Uma observação a fazer é que o autor fala de futebol no século XV, mas o futebol só surge no século XIX. Talvez a ideia do jogo provavelmente já venha bem de antes, mas não sei se podemos falar em futebol. Enfim... Futebol à parte... Recomendo!!!


sexta-feira, 14 de julho de 2017

Mau começo, de Lemony Snicket.



Recentemente li "Mau começo", o primeiro livro das "Desventuras em série" dos irmãos Baudelaire: Violet, Klaus e Sunny. Do início ao fim do livro é só desventura na vida dos irmãos. Os pais morrem num incêndio enquanto estão na praia; vão morar com o Sr. Poe e dormem num quarto apertado, junto com os filhos deste, usando roupas que detestam; vão morar com um parente desconhecido, o Conde Olaf, que arquiteta um plano para ficar com o dinheiro deles. O único alívio na vida dos irmãos é a juíza Strauss, a vizinha do Conde Olaf que os trata bem e os quer como filhos. No fim, quando você pensa que finalmente os irmãos terão um final feliz, você está totalmente enganado rs. O livro é bom tanto para crianças como para adultos que estão buscando uma leitura mais leve. Leitura rápida, fácil e que prende o leitor. 

quinta-feira, 22 de junho de 2017

A droga da obediência, de Pedro Bandeira.


De ontem pra hoje li "A droga da obediência", de Pedro Bandeira. Acho que eu era umas das poucas pessoas que conheço que ainda não tinham lido um livro dele. Bem, esse é o primeiro livro da série Os Karas (o avesso dos coroas, o contrário dos caretas!), que narra as aventuras do grupo homônimo formado por Miguel, Chumbinho, Magrí, Calu e Crânio. Estudantes dos melhores colégios de São Paulo estão desaparecendo e quando os desaparecimentos chegam ao Colégio Elite, é lógico que os Karas vão querer resolver o mistério. Logo descobrem que o desaparecimento se dá por causa da droga da obediência do título, que está sendo distribuída nos colégios e faz quem a usa agir sem questionar. Um belo paralelo pode se fazer com a época em que o livro foi escrito, no fim da ditadura militar, na qual não interessava ao sistema que se fosse desobediente ou se pensasse diferente do que o Estado queria. Como diz Miguel em uma das passagens do livro, somente a desobediência modifica o mundo. O livro tem uma linguagem fácil e é uma leitura bem rápida, mas que nos leva muito a refletir. Recomendo!!!

segunda-feira, 19 de junho de 2017

1808, de Laurentino Gomes.


Comecei a ler 1808 sem grandes pretensões, mas o livro realmente me surpreendeu. É muito bom! A obra conta o processo da transferência da família real para o Brasil e percebemos que a vinda para o Brasil não foi pensada de uma hora para outra, mas era já um desejo antigo da Corte Portuguesa, que com as ameaças de Napoleão, se viu com a faca e o queijo na mão e aproveitou a oportunidade. A vinda não foi fácil e o que tinha tudo para dar errado, acaba dando certo, dentro das possibilidades existentes. O livro é dividido em capítulos, que tanto têm como tema personagens, como D. João VI e Carlota Joaquina, como também alguns eventos históricos, como é o caso da Revolução Pernambucana, de 1817, que eu nem sabia, acaba atrasando a coroação de D. João VI em um ano. Pra quem pensa que a roubalheira na política começou agora, vá ler o livro. A corrupção no Brasil já vem de muito tempo. E o descontrole dos gastos públicos também. Mesmo falida, a corte dava muitas festas. A que mais me chamou atenção foi a do casamento de Leopoldina e Pedro I, em Viena, em que, atualizando para os valores atuais, foi gasto em torno de R$9.000,00 com cada convidado. Outra coisa que me chamou atenção foi o processo de transporte da Biblioteca Real para o Brasil. Na correria da fuga, as caixas foram esquecidas no cais e apenas três anos depois, em 1811, acabaram de chegar ao Brasil. O trabalho de encaixotamento foi dado aos Santos Marrocos, pai e filho, que trabalhavam na Biblioteca Real. O filho, Luiz Joaquim, é o responsável por trazer os livros ao Brasil. E, como a história sempre está sendo (re)visitada e (re)atualizada, descobre-se uma filha que ele tem com a esposa, antes de se casarem, e que ao que parece, foi dada para adoção. Pra quem gosta de História do Brasil, eu recomendo, pois além de bom, é um livro de leitura fácil. 

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Corra!


Ontem eu assisti a "Corra!". Fiquei com curiosidade para assistir porque já tinha ouvido falar que era bom. Eu só não esperava que fosse tão bom e tão inovador. O racismo aqui é tratado de uma maneira eu nunca tinha visto e leva o espectador a refletir sobre várias questões relativas ao tema. Bem, esse é o tipo de filme que quanto menos você souber sobre o enredo, melhor, pois o elemento surpresa é o que faz o filme ser realmente bom, como poucos são atualmente. Há um suspense no ar e a obra consegue prender até o fim. Nos momentos finais, houve cenas em que prendi o ar pra saber o resultado daquilo tudo. O final me surpreendeu. Esperava outra coisa, principalmente com a cara que Rose faz. Embora o filme tenha muitos momentos tensos, o final (o final mesmo) é leve. Embora seja um filme com um tema bastante pesado, tratado de forma pesada na maioria do tempo, há momentos para gargalhadas, como na cena da delegacia em que está o amigo de Chris, Rod (Lil Rel Howery), a delegada e dois agentes. Quanto ao enredo do filme, o que vale a pena saber é que Chris (Daniel Kaluuya) é negro e vai passar o fim de semana na casa de sua namorada branca, Rose (Allison Williams). Chegando lá, ele percebe que os empregados são todos negros e que agem de maneira estranha. Na cena da reunião com os amigos dos pais, há perguntas e comentários constrangedores.  E o pior de tudo, é que são comentários, alguns, que ainda costumamos ouvir por aí. Ironicamente, na história, o avô de Rose perde para Jesse Owens na Olimpíada de Berlim, em 1936. Um filme inteligente que vale a pena ser assistido. Até agora tô pensando no filme...                                 

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Lion - Uma jornada para casa.


A primeira cena de Lion é linda! Saroo pequeno entre as borboletas e depois Guddu, seu irmão, o chamando. E por falar em Saroo, não posso deixar de dar os parabéns ao pequeno grande Sunny Pawar, que interpreta o Saroo criança e tem uma interpretação emocionante. A cena dele gritando pelo irmão quando descobre que o trem tá indo embora é de cortar o coração. Merecia ter concorrido ao Oscar com toda a certeza! Tava melhor do que muito marmanjo que concorreu. Bem, o filme conta a história de Saroo, que se perde de Guddu, seu irmão mais velho, numa estação de trem. Saroo passa por maus bocados, até que vai parar num orfanato e depois é adotado por uma família australiana. Essa é a primeira parte do filme, que é bem melhor que a segunda. Esta nos mostra Saroo adulto. Pra mim, ficou meio confuso se ele sempre quis voltar à Índia ou se a vontade veio depois de entrar em contato com outros indianos na universidade. Ao ir à casa de um, com Lucy, sua namorada, e ver a comida que sempre pedia pro irmão comprar, ele lembra de Guddu e conta a história de sua vida aos amigos, que lhe dizem para procurar a sua verdadeira mãe. E aí começa uma busca desenfreada pelo Google Earth pelo local onde ele morava quando criança. Quando finalmente desiste, é quando encontra (A vida é muito engraçada, já diria meu amigo Kíkero...). O final do filme é bonito, embora triste, por não ser completo como se espera ou pelo menos como eu esperava. Chorei em algumas partes do filme e no final não foi diferente. Me pus no lugar de Saroo mesmo. Que rumos teria a minha vida se a minha mãe tivesse me dado pra adoção, como queriam algumas pessoas? Aí você percebe que as decisões, por menores que sejam, têm um grande poder na vida das pessoas, mudando suas vidas. Temos ainda imagens do Saroo real e o encontro de suas duas mães. No fim das contas, acho que o filme fala da busca por uma identidade. Ele só conseguirá viver a vida plenamente depois que "acertar" as contas com o passado. Um belíssimo filme que vale muito a pena assistir!!!

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Silêncio.


Depois que acabei de assistir Silêncio eu percebi que talvez tenha colocado um pouco de expectativas demais nele. Não, o filme não é ruim, mas em alguns momentos se torna meio cansativo, pois não há uma reviravolta nele. Andrew Garfield está muito bem como o Padre Sebastião Rodrigues. Foi a melhor atuação que eu já vi, dos filmes que já assisti com ele. Já Adam Driver como o Padre Francisco Garupe está tão inexpressivo como o Kylo Ren de O despertar da força. E Liam Neeson está mediano.  Por falor neles, o engraçado é que o filme tem meio mundo de atores japoneses, muitos deles aparecendo mais que Driver e Neeson, mas o pôster do filme só dá destaque aos não japoneses. Enfim... Vamos lá ao filme... A obra se passa no Japão do século XVII, numa época em que os jesuítas tentavam levar o Cristianismo para lá. Rodrigues e Garupe vão para lá atrás de outro Padre, Ferreira (Liam Neeson), mas os cristãos estão sendo perseguidos e mortos e os padres pegos servem de exemplos para eles. Uma das partes que achei mais interessante no filme é a conversa entre o inquisidor e Rodrigues, onde aquele lhe diz que a doutrina que ele traz consigo pode servir para Espanha e Portugal, mas é inútil para o Japão. Mais adiante, Rodrigues lhe diz que a verdade é universal, referindo-se à religião cristã. Bem, a verdade nem é universal e acaba que cada um vai ter a sua né? O filme traz algumas reflexões com relação à religião e à relação do homem com Deus. Até onde você iria em nome de Deus? Deixaria pessoas morrerem porque você não quer renunciar à sua fé? Morreria em nome dela? Deus lhe castigaria por você renunciar à sua fé para salvar os seus irmãos? Recomendo!!!

Fragmentado.


Fragmentado é um bom filme sustentado por um excelente ator, James McAvoy. E nesse caso, quando digo excelente é excelente MESMO. Não é fácil interpretar várias personagens na mesma obra, pois corre-se o risco de só se mudar de roupa, o que não ocorre com McAvoy. Percebemos as nuances das diferentes personagens, seja no seu olhar, no tom de voz, no trabalho corporal... Realmente merece os parabéns pelas interpretações. Indo à trama do filme agora... McAvoy interpreta Kevin, o dono das 23 personalidades, sendo as mais presentes Barry, Patricia, Hedwig e Dennis. Este último sequestra Marcia, Casey e Claire em um estacionamento para participarem de uma espécie de ritual para a chegada da 24ª personalidade, a Besta. O filme tem um certo suspense em algumas cenas, o que consegue te deixar bem ligado nele. Dentre as meninas sequestradas, Casey é a principal, com o filme nos mostrando flashback's relacionados à sua infância, nos mostrando porque ela prefere isolar-se das pessoas. Outra personagem importante é a psicóloga, Karen Fletcher, com quem a identidade Barry vem à luz para manter contato. A psicóloga trabalha com ele(s), há anos, tentando manter uma certa ordem entre as 23 personalidades, o que nem sempre é fácil, pois todas elas querem vir à luz. Ao longo do filme, flashback's também são apresentados em relação ao passado de Kevin, para que possamos entender o porquê dele ter desenvolvido essas identidades. Costumo dizer que a nossa mente pode nos levar ao inferno ou ao paraíso, por ser realmente uma coisinha complexa danada e acho que o filme tenta nos mostrar isso, de certa forma. Bem, o fim do filme me pareceu meio fraquinho em relação ao que foi apresentado no restante do tempo. Vale a pena assistir para tirar as suas próprias conclusões...

terça-feira, 18 de abril de 2017

Manchester à beira mar.



Eu comecei a assistir "Manchester à beira mar" três vezes. Desisti com uns 20 minutos de filme nas duas primeiras porque me pareceu muito parado e chato. Tentei a terceira porque um amigo me falou pra insistir, pois o filme era realmente muito bom. Assisti e não me arrependi. O filme conta a história de Lee Chandler (Casey Affleck, que ganhou o Oscar pelo papel), que tem que retornar à sua cidade natal depois que o irmão morre, para ser o tutor de seu sobrinho, um dos desejos do irmão morto. Lee é meio introspectivo, meio antissocial até e a partir dos flashback's vamos descobrindo o porquê do que ele se tornou. Casey Affleck é bom ator, mas pra mim quem rouba a cena do filme é Michelle Williams, que rouba a cena toda vez que aparece, que são poucas. A cena em que a personagem dela fala do trauma com Lee durante um encontro na rua é bem emocionante. Outro ponto importante do filme é como a relação entre tio e sobrinho se desenvolve. A relação dos dois vai amadurecendo e até mesmo a barreira colocada por Lee é um pouco quebrada ao longo da trama, mas quem espera um final feliz pode se decepcionar um pouco. Recomendo!!!

Os 13 porquês, de Jay Asher.


Os 13 porquês, de Jay Asher, é o livro que dá origem à série do momento, "13 reasons why". Depois que li o livro, fiquei pensando que talvez a série seja melhor que o livro, pelo bafafá que tá em torno dela. Ou talvez seja apenas pelo tema mesmo. Bem, o livro não é ruim, mas eu também não o achei excelente, embora realmente lhe faça pensar sobre o modo como as suas ações podem afetar a vida de outrem. E como às vezes as pessoas só querem ser ouvidas por alguém e anseiam por alguém que queira lhes conhecer de verdade. Acho que a história do livro todo mundo já sabe... Hannah Baker se suicida e isso todos já sabem desde o início. As pessoas responsáveis pela sua morte, os 13 porquês, recebem as fitas em que ela conta como aquelas pessoas podem ser responsabilizadas pelo seu suicídio e cada uma é responsável por passar as fitas adiante. O livro é narrado por duas pessoas, Hannah e Clay. Diferente da maioria dos livros em que as narrativas das personagens se dão em capítulos em separado, aqui temos a narrativa entrelaçada dos dois, o que é um ponto legal do livro, pois vamos sabendo o que Clay pensa enquanto escuta o que Hannah está falando. O livro me fez pensar em como é importante ter um amigo com o qual conversar sobre as coisas. Já passei por algumas situações do livro e ter um amigo fez toda a diferença do mundo. Clay poderia ter sido esse amigo, já que gostava dela, mas por conta de todos os boatos que circulavam sobre ela na escola, ele nunca tentou uma aproximação, com medo de descobrir quem era ela de verdade. Embora as pessoas sejam de certa forma culpadas pelo que aconteceu a Hannah, eu não sei até que ponto é "saudável" mandar fitas pras pessoas culpando-as pela sua morte. Esse é uma crítica que faço ao enredo do livro. O suicídio, pra mim, sempre foi sinal de desespero, de não ter mais saída. Nunca julguei quem já tentou se matar ou quem de fato se matou, pois não sei pelo que aquela pessoa passa para julgá-la. Enquanto lia, fui pensando em quantas possibilidades aquela menina tão jovem teria. No último capítulo, ela faz uma última tentativa com o professor orientador, que eu esqueci o nome agora, mas  que embora essa tentativa seja feita, parece que há muito ela já desistiu da vida. O bom do livro é que ele realmente lhe prende. Eu mesma fiquei muito curiosa para descobrir como aquelas 13 pessoas eram responsáveis pela morte de Hannah. Só não concordei muito com a inclusão de Clay nessa lista, mas enfim... O último capítulo é bonito com toda a certeza. Uma chance de recomeço. E no fim do livro tem os telefones que ajudam pessoas que pensam em suicídio, o que com certeza pode ser útil pra muita gente. E uma coisa legal que também temos aqui é que o autor apresenta o processo de criação da obra. Com certeza é um livro que merece ser lido, relido e debatido para que o que aconteceu com a Hannah da ficção aconteça cada vez menos com as Hannah's da vida real. 

quarta-feira, 12 de abril de 2017

2ª Temporada de Dawson's Creek.



Segunda-feira terminei de assistir à 2ª temporada de Dawson's Creek. Assistir a série, pra mim, é sempre voltar um pouquinho no tempo e passear pela minha adolescência. Essa é a temporada que Jack e sua irmã Andie entram na trama e é quase impossível não perceber como eles afetam as personagens principais e a série só ganha com isso. Bem, Joey tem um rápido affair com Jack e percebe que, embora ame Dawson, ela precisa descobrir quem é sem ele e que o mundo tem mais a lhe oferecer. O que mais muda é Pacey, a partir de sua relação com Andie, que o transforma num homem e na melhor personagem da série. O amadurecimento de Pacey é das melhores coisas que acontecem nesta temporada e na série como um todo. Já no fim, quando Andie piora da doença, emociona quando os dois precisam se separar. Essa é a temporada em que vemos os conflitos de Jack em relação à sua sexualidade e o assumir-se gay depois, coisa que o pai não aprova, mas que faz um bem danado ao filho. Temos o nascimento da amizade entre Jen e Jack, a melhor amizade da série pra mim. Até mais que a de Joey e Dawson. E por falar nele... Vemos que ele não muda quase nada de uma temporada para outra rs. No fim da temporada, temos a saída do pai de Joey da prisão e sua volta para a casa e, posteriormente, a descoberta de Dawson de que ele está traficando novamente, o que vai mais uma vez afastar o casal Joey e Dawson. No fim dessa temporada a mãe de Dawson vai embora para a Filadélfia e o deixa morando com Mitch, que pede para ela ficar (porque geralmente só se dá valor quando se perde rs), mas ela vai embora mesmo assim. A cena da volta de Jen para a casa da avó e a chegada de Jack é muito bonita e emocionante também. Pra quem gosta da série vale a pena (re)ver essa temporada!

O filho eterno, de Cristovão Tezza.


Semana passada terminei de ler "O filho eterno", de Cristovão Tezza. O livro recebeu vários prêmios, não que prêmios digam algo. Muitas vezes não dizem é nada rs, mas neste caso dizem sim. O livro é muito bom e te prende. Algumas passagens surpreende pela "crueza" da forma como é retratado o sentimento do pai pelo seu filho, como nas que ele pensa que gostaria que o filho morresse. Bem, o livro conta a história de um pai, sustentado pela esposa, escritor de romances sem sucesso e que se vê com um filho com síndrome de down. O desgosto é tanto que ele deseja que o filho morra muitas vezes e até evita falar dele com outras pessoas para que elas não perguntem sobre "os problemas" do garoto. Na verdade, o problema é mesmo com ele que não consegue aceitar o filho da forma como ele é. O livro se passa na década de 1980 e podemos perceber as diferenças de tratamento de uma pessoa com síndrome de down daquela época e as de hoje em dia. Naquele tempo se dizia que não viviam muito, que não podiam andar sozinhos na rua, as escolas ainda não tinham a estrutura necessária para atender essas crianças... Infelizmente, embora hoje em dia exista a lei da inclusão, muitas escolas ainda não estão preparadas. Voltando ao livro... Com o tempo, Felipe vai se desenvolvendo, seja com a ajuda da natação, dos médicos ou da arte, através dos seus desenhos, e o pai começa a percebê-lo de maneira diferente. A meu ver, a relação do pai para com o filho muda no dia em que este sai de casa sem que ninguém o veja e o pai vai atrás dele. O final do livro é muito bonito e a obra como um todo nos mostra o amadurecimento da relação entre o pai e o filho, de uma maneira muitas vezes crua, dura, mas talvez por isso mesmo, muito bonita. 



Moana - Um mar de aventuras.


Moana é o título do filme da nova princesa da Disney, embora numa cena com Maui haja uma autopiada sobre o estereótipo das princesas da Disney. O filme é lindo! Um dos mais bonitos que já vi em termos de animação. E Moana é uma princesa diferente. É a primeira princesa que não tem nem mesmo um pretendente amoroso (pois Merida embora não namore tem três pretendentes) e é a primeira que tem dois bichinhos de estimação: um porquinho, Pua e o galinho Heihei. Embora a Disney venha melhorando algumas questões da sua franquia de princesas, em outras ela está se repetindo. Moana me lembrou muito "Frozen". A meu ver, desde "Valente" os filmes de princesas estão se repetindo. A protagonista tem que se afastar de seu lugar de origem para descobrir quem verdadeiramente é. Não que isso não possa acontecer, mas acho que ela pode se conhecer em outras situações também, mas enfim... Vamos lá ao enredo de Moana... Maui rouba o coração de Te Fiti, a deusa responsável pela criação da vida. Por conta do roubo, as ilhas estão morrendo. Moana desde criança sonha em velejar no mar. Ainda pequena encontra o coração de Te Fiti, mas o pai a chama e ela o perde de vista. Anos depois, Moana já mais velha está sendo preparada para ser a nova chefe da ilha em que mora. Quando alguns habitantes chegam com cocos secos e depois de conversar com a sua avó Tala, quando esta está morrendo, Moana decide sair desbravando os mares para encontrar Maui e juntos devolverem o coração de Te Fiti. Mas o encontro com Maui não é o que ela espera e ela vai precisar de paciência para dobrá-lo e convencê-lo a acompanhá-la. Há um momento de dúvida, típico dos heróis, em que Moana não se sente a pessoa mais preparada para devolver o coração a Te Fiti, mas a avó aparece para ela e a faz acreditar em si. Ela decide ir atrás de Te Ka, o deus que prendeu Maui, sozinha. Lá, encontra Maui e os dois derrotam Te Ka. Moana volta para a sua ilha e a navegação volta a ser incorporada às atividades dos habitantes. Não deixe de ver a cena após os créditos. Há uma referência a "A Pequena sereia". Há um filme antes e um depois da entrada de Maui, que traz uma certa ironia à cena. No fim das contas, Moana traz muitos ganhos ao "conceito de princesa" criado pela Disney. Embora magra, tem proporções normais, tem cabelos enrolados, não é branca, inicia a sua jornada sozinha... Por mais princesas como Moana!!!




segunda-feira, 3 de abril de 2017

Admirável mundo novo, de Aldous Huxley.


Admirável mundo novo é um daqueles livros que você lê e que lhe dão uma sacudida do seu lugar comum. É um livro excelente, que embora escrito na década de 1930 ainda se faz muito atual. Um verdadeiro clássico da literatura! A obra narra um futuro distópico, no qual as pessoas são condicionadas a fazerem o que quer o Estado, em nome da estabilidade social, pois "não há civilização sem estabilidade social e não há estabilidade social sem estabilidade individual". Os seres humanos são criados em série, a partir do processo Bokanovsky e condicionados desde cedo, a partir do sistema hipnopédico, em que as lições eram repetidas ao extremo durante o sono dos "indivíduos" (Entre aspas porque não há individualidade. Há um monte de gente que forma um todo), para que ficassem gravadas em seus inconscientes. As pessoas não sabem lidar com problemas, tristezas, guerras, pois tudo isso desestabilizaria o indivíduo e a sociedade, e consequentemente a civilização. Para não lidar com as dores/ problemas/ sofrimentos do dia-a-dia cada cidadão recebe uma dose diária de soma, uma espécie de inibidor de emoções. Já não há família, casamento, relações duradouras, pois estas são coisas antigas que não servem para a civilização atual. A sociedade é dividida em castas, tendo cada uma delas um papel social significativo dentro da sociedade e é importante que todos os grupos desempenhem bem os seus papéis, para que a sociedade não se desestabilize. Os únicos livros que se conhece são os livros que falam como manter a sociedade em bom funcionamento. John, o "selvagem", do povo que mantém os antigos costumes, é quem terá o hábito de ler os livros de Shakespeare. O "selvagem" é mais civilizado que os civilizados, que já não têm pensamentos próprios e não admiram as artes e as ciências... Deus é substituído por Ford. Sim, aquele mesmo que inventou a produção em massa, já que tudo nesta sociedade é fabricado em massa, até mesmo os humanos e as suas identidades. Não há um Deus como o conhecemos. Apenas o "Selvagem" é que possui uma ligação com Deus. O "Selvagem" que tanto queria conhecer o Admirável mundo novo, mas que ao conhecê-lo, perceberá que ele não é tão admirável assim. A ciência aqui não é nossa aliada, mas nos desumaniza e nos "desindividualiza". Um excelente livro, que faz você perceber que, embora as coisas apresentadas no livro sejam absurdas, elas estão mais próximas de nós do que imaginamos. Vale muito a pena ler!!!

sexta-feira, 24 de março de 2017

Confissões de adolescente, de Maria Mariana.



Peguei "Confissões de adolescente" pra tombar na biblioteca em que trabalho. Comecei a ler e não parei mais. O livro é baseado nos diários que a Maria Mariana escrevia durante a adolescência. No livro ela meio que mantém essa estrutura de diário. Os capítulos não possuem ligação um com o outro e eles são feitos a partir de temas. Tem o da primeira vez, o do aborto, o da primeira vez que usou maconha. Achei o livro bem verdadeiro em termos de adolescência. Tanto tem questões profundas, como besteiras, como as efêmeras paixões da adolescência que a gente acha que vai durar a vida toda... Uma coisa que achei bem legal dessa edição é que vem os depoimentos das atrizes que participavam da peça (Maria Mariana, Patrícia Perrone, Ingrid Guimarães e Carol Machado) sobre a vida deles e o ser adolescente. Aí veio a parte que mais me tocou. A relação delas com o teatro e eu  tive como não sentir uma saudade da gota da época em que eu fazia teatro. Fui levada a me perguntar porque eu não insisti mais um pouquinho na carreira, mas a vida é o que é e às vezes não vale muito a pena ficar pensando no que poderia ter sido, mas focar no que é e no que pode ser... Deu uma certa saudade da adolescência ler esse livro. Pelo menos das partes boas...